21.10.09














sea_2009 (livro de artista)





afasto_2000_2009 (livro de artista)

21.10.08

non - era tão só / a paisagem da sua ruína / que considerava - uma curta inspiração sem finalidades - (a cima de si)
2008
Intervenção (vidro, ferro, iluminação, pigmento e areia)

fotografias de Samuel Silva





























non - era tão só / a paisagem da sua ruína / que considerava - uma curta inspiração sem finalidades - (à sua frente)


2008
Intervenção (tinta, iluminação, iluminação, pigmento e areia)


fotografias de Samuel Silva






























non - era tão só / a paisagem da sua ruína / que considerava - uma curta inspiração sem finalidades - (em si)
2008
performance


fotografia de Nuno Ramalho


fotografia de João Baeta



não procura
o horizonte à sua frente
a parede
olha agora
para o chão
onde os pés avançam
a construir
desertos

a paisagem

viva nos escombros

Têm a ingenuidade ou a sabedoria de sentir nessas contemplações gratuitas e diminutas a fonte mais certa da verdade do mundo. Gostam de ver as coisas, esgotá-las. Recolhem-se depois com elas. Vivem longamente com a densidade das suas imagens. Disso tudo apuram um encantamento irónico, uma curta inspiração sem finalidades.

Detestam o trabalho. Vão já querendo aos seus hábitos de renúncia e tédio, à calma subalimentação e à astronomia de imagens essenciais. Falam pouco destas coisas, que não são coisas de que se fale, nem eles gostam de falar. Gostam de olhar. (…) Também olham para as mãos, as suas próprias mãos, com um desprendimento íntimo, vagaroso, quase sardónico.

Um dia há a fome. Não essa habitual fome surda e continuada, a fome básica da ilha – estilo central com suas tréguas que empenham de novo o homem no acto de viver. Há a fome extrema.

PHOTOMATON & VOX de Herberto Helder

21.8.08

Non – náufragos, ergue-se novamente a cruz com o ruir da vela










Non – náufragos, ergue-se novamente a cruz com o ruir da vela
Estudos2005
Aguarela sobre papel com reprodução da cidade do Porto




7.4.08

non – descrição de um abismo
Janeiro de 2007
Performance
Apresentada na exposição
non_Essa visão da realidade vale a outra
realizada no
MAD WOMAN IN THE ATTIC




DESCRIÇÃO DE UM ABISMO
A visão de aqui.
Ora aqui está.
Onde pernoitas, cansas, recuperas
e pronto, quando «te vês» é tudo.


(PARA SI PRÓPRIO)
Essa visão da realidade

vale a outra, e a outra, e a outra

– o espectáculo dos olhos,

dos pénis, dos ruídos,

substituem o dos campos,

se tos negam – (…)


“OS CRIMINOSOS E AS SUAS PROPRIEDADES”

in “raso como o chão” de Álvaro Lapa

Editorial Estampa, Lisboa, 1977


“Se olharmos para a linguagem dos grupos islamistas, há claramente um regresso agDeus. Se olharmos para os fundamentalistas na Índia há um regresso a Deus. Se olharmos para a linguagem do presidente Bush, e lermos o segundo discurso inaugural da presidência, há um enorme regresso a Deus. Se olharmos mesmo para a linguagem do senhor Blair, na Inglaterra, há um regresso a Deus – A maior parte dos britânicos não queria que fosse para a guerra do Iraque, porque é que foi?, e ele disse (algo como):”Bem, sou alguém que acredita em Deus e nos meus princípios, oiço a voz e prossigo”…
Portanto sim. No discurso político público há, em geral, um regresso a Deus.
Mas ao mesmo tempo também penso que a linguagem de Deus tem de ser vista em relação com as forças sociais, históricas e tradições políticas. E quando olhamos com atenção vemos que a linguagem de Deus é frequentemente utilizada para justificar determinados actos políticos.
Por que é que isto aconteceu? Porque removemos da linguagem da política o lugar da emoção, do sentimento, do afecto. Tornámos a política instrumental, super-racionalista e, retirámos a ênfase ética e afectiva da linguagem.
(…)
Numa situação em que temos migrações em grande escala, refugiados, movimentos populacioais, (…) quando temos tanto desenraizamento, perigo e transição, é muito importante, em conjunto com um sentido de racionalidade, ter um sentido de emoção, da ética, que fale à nossa imaginação, que dê um sentido de pertença.
A linguagem do regresso a Deus também tem que ser vista no contexto dessa falta.
Penso que é por aí que devemos começar. Por ver a hibridização da cultura. Não pensar que aqueles jihadis pertencem ao século XIII na Arábia Saudita, que são parte de um mundo oriental ou de outro mundo qualquer diferente do nosso. Muita da gente envolvida (nos ataques) vem de um meio burguês, não passou privações, tomou uma determinada decisão política. O nosso desafio é impedir essas pessoas de tomarem essa decisão.
Acredito profundamente, como Hanna Arendt, que quando a morte se torna uma parte do processo de decisão política – seja o Estado a tomar a decisão, um individuo ou grupo -, é a morte da política e da sociedade. Se a morte é usada como um valor político mata completamente a política e a vida social.
(…)
A “dúvida global” permite ver e questionar os desenvolvimentos da globalização. Não significa ser negativo em relação à globalização, mas permite-nos ter uma visão equilibrada, perguntar, (…) Permite ver onde estamos e onde deveríamos estar. Dá-nos uma visão ética, das responsabilidades, da justeza, e é a base de uma ética global.
Homi Bhabha ao “Pública”

9.12.07




non – sem força para fixar o olhar
Momento I – metropolização
Momento II – megalopole
Momento III – Arquipélago Megalopolitano


1999 – 2007
Instalação

Dimensões variáveis



Fotografia de Manuel Santos Maia, Sónia Neves e Arlindo Silva
























30.8.07

non – sem força para fixar o olhar

Fotografia de Luís Alexandre






Antimonumentos
Mostra a inaugurar em Viseu a 15 Setembro de 2007
Curadoria de Miguel von Hafe Pérez
Galeria ah arte contemporanea

Fotografia de Isabel Ribeiro




monumento, s.m. construção ou obra de escultura destinada a perpetuar a memória de um facto ou de alguma personagem notável; edifício majestoso; obra digna de passar à posteridade; mausoléu; memória; recordação; pl. Documentos literários, científicos, legislativos ou artísticos; restos ou fragmentos materiais pelos quais podemos conhecer a história dos tempos passados. (Do lat. Monumentu-, «id.»).

monumentalizar, v. tr. dar carácter ou aspecto de monumental. (De mnumental+-izar).

anti-, . elemento de formação de palavras, de origem grega, que exprime a ideia de hostilidade, protecção, oposição;aglutina-se com o elemento seguinte, excepto quando este tem vida própria e começa por h, i, r ou s, separando-se, neste caso, por hífen. (Do gr. Anti-, «contra»).

«metropolização»

Um dos resultados da mundialização do século XX prende-se com a urbanização nos países em desenvolvimento sob a forma de «metropolização». Como refere Olivier Dollfus em “A Mundialização”:

A mundialização, quer situemos o seu início na altura das Grandes Descobertas quer sob a sua forma actual, no fim do século XIX, contribuiu, através do crescimento de efectivos e de riquezas, (…) para grandes redistribuições da população das regiões e dos continentes; para o papel cada vez maior das cidades; para a importância, ligada ao comércio e às migrações (…). A primeira mundialização, saída da Europa, foi primeiro que tudo intercontinental e transoceânica. (…)

A mundialização é, antes de mais, um turbilhão de crescimentos das mais variadas naturezas, distribuídos de forma desigual, que afecta as condições da existência de todos, embora de formas diferentes, e que contribui em todas as escalas para as modificações das massas e da forma como estão repartidas, entre cidade e campo, entre regiões, entre países, bem como entre continentes.

(…)

Estes crescimentos que marcam o início do ciclo da história da mundialização contemporânea não poderão subsistir a longo prazo. Transposto para a história da humanidade, o século XX, o século do grande impulso da mundialização, será sempre visto como um século excepcional devido aos seus rescimentos, que traduzem um sistema onde entram em jogo os circuitos de retroacção positiva.

(…)

A cidade

“A mundialização deu um grande impulso à urbanização, porque a cidade é a concentração das sinergias, a acumulação dos factores num mesmo local, uma oferta de emprego diversificada, a possibilidade de promoção social, a integração numa sociedade em movimento. O crescimento urbano é o triunfo da concentração. Faz-se acompanhar do desenvolvimento das redes – quer internas da cidade, para permitir o seu bom funcionamento, quer externas, para facilitar as relações com as proximidades e com outras cidades.

A urbanização aplica-se actualmente a metade da humanidade (…). O crescimento das cidades dos países em desenvolvimento tem sido particularmente forte na segunda metade do século XX.”

“o mundo das fracas densidades e do vazio

Imensas superfícies terrestres permanecem vazias, o que não significa, no entanto, que não desempenhem o seu papel no mundo actual. Algumas contêm recursos mineiros ou energéticos (…), são bases de observação cientifica da Terra, de controlo estratégico por parte das grandes potências, (…). Outras são reservas de terra para o futuro. Continuam muito pouco povoadas, embora tenham «potenciais naturais» análogos a outras regiões densamente ocupadas. (…)

Se é verdade que a Terra, na época da mundialização, se densifica, isto acontece de forma claramente desigual, com vastas superfícies deixadas por habitar, embora não sejam necessariamente impróprias, pela sua natureza, para diferentes formas de ocupação humana. Estes vazios não constituem um obstáculo aos fluxos mundiais”

«arquipélago megapolitano mundial» (AMM),

Hoje um conjunto de cidades dirigem o mundo. Esta criação da segunda metade do século XX é segundo Olivier Dollfus “um dos mais fortes símbolos da globalização aliada à concentração das actividades de inovação e direcção. Exerce-se aí a sinergia entre as diversas formas do terciário superior e do «quaternário» (investigações, inovações, actividades de direcção). O AMM marca simultaneamente a articulação entre as cidades pertencentes à mesma região e entre grandes pólos mundiais. Daí resulta o aparecimento de grandes grupos de cidades mundiais.

Jean Gottmann havia dado o nome de «megalópole» às cidades situadas ao longo da costa atlântica no nordeste dos Estados Unidos, de Washington a Bóston. Esse nome foi de seguida dado às redes de cidades e metrópoles vizinhas onde se concentram e operam em sinergia os poderes políticos, os poderes económicos, e os poderes financeiros; onde estão instaladas as sedes das grandes empresas e dos meios de comunicação que forjam as opiniões de todo o mundo; onde se encontram ainda, entre os mais inovadores, as grandes universidades e laboratórios; onde se lançam as modas, de vestuário ou música. Criações da mundialização, estas megalópoles são a expressão de um novo cosmopolitismo, permanecendo, contudo caracterizadas pelas culturas a que pertencem.

Estes «cachos de cidades» com funções quaternárias dispõem de excelentes meios de comunicação internos (aurto-estradas, carreiras aéreas, comboios rápidos, auto-estradas da informação). São empreendidos esforços dispendiosos para evitar ou limitar efeitos de congestionamento que possam prejudicar o seu funcionamento. Congestionamento este que pode atrasas um pouco os efeitos de aglomeração favorecidos pela sinergia entre os efeitos de centralidade e de economias de escala. As megalópoles, mantêm excelentes relações com as outras «ilhas» do arquipélago megapolitano mundial (o que dá sentido à palavra arquipélago) e está nelas concentrado o essencial do tráfego aéreo e dos fluxos de telecomunicações. (…) no interior destas «megalópoles», a velha distinção entre rural e urbano perde um pouco o sentido, mesmo que uma grande parte da sua superfície seja florestal ou campestre, recortada pelos avanços do mar (…)”

Um mundo de cidades

… como era possível apreciar a beleza das coisas materiais da terra ou nos céus e o que era que me capacitava a tomar decisões correctas em relação a coisas sujeitas à mudança e a decidir que uma coisa tinha de ser deste modo, uma outra do outro. Interrogava-me como é que eu era capaz de as julgar dessa maneira e percebi que a cima da minha própria mente com capacidade para a mudança, existia a imutável e verdadeira eternidade da verdade. Assim, a passo e passo, os meus pensamentos passaram das consideração das coisa materiais para a alma, que percebe as coisas através dos sentidos do corpo e depois para o poder interior da alma a que os sentidos do corpo comunicam os factos externos.”

(…)

Mas eu não tinha forças para fixar o meu olhar nelas. Na minha fraqueza, recuei e voltei aos meus velhos caminhos, carregando comigo nada a não ser a lembrança de algo que eu amava e pelo qual ansiava como se tivesse a fragrância do alimento, mas não fosse ainda capaz de o ingerir.

(…)

Não preciso de me preocupar se alguns não conseguem compreender isto? Que perguntem o que significa e alegrem-se por perguntar; mas podem contentar-se apenas com a pergunta.

in “Confissões” de Santo Agostinho





non – sem força para fixar o olhar _ metropolização _ Momento I





non – sem força para fixar o olhar _ Megalopole _ Momento II






non – sem força para fixar o olhar _ Arquipélago Megalopolitano _ Momento III



10.8.07

non - varanda

Porto, 2007

Intervenção numa varanda do Bloco de Gaveto de Viana de Lima

no centro da cidade do Porto

plástico, madeira, ferro, cartão, tecido e objectos

Dimensões 200cm x 140cm x 200 cm

fotografias de João Coração






29.7.07

non - varanda

Porto, 2007

Intervenção numa varanda do Bloco de Gaveto de Viana de Lima

(plástico, madeira, ferro, cartão, tecido e objectos)

Dimensões 200cm x 140cm







fotografias de Eduardo Matos


Bloco de Gaveto _ 1955

Projecto de Viana de Lima

Localização

Porto

Rua de Guilherme da Costa Carvalho, 29/25/23/21/11/1

Rua do Bonjardim, 235

Localizado numa área central da cidade (do Porto), o projecto é confrontado com uma série de condições inerentes a um local densamente edificado. O projecto colmata o topo de um quarteirão, obrigando a estabelecer com os edifícios laterais um contacto directo e configurando-se no interior do quarteirão quase como uma ampliação das preexistências. O programa prevê funções diferentes articulando em sete níveis: o R/chão é ocupado com espaços de comércio, no piso 1 situa-se os escritórios e nos restantes pisos, as tipologias habitacionais.

A fachada principal caracteriza-se por um desenho rigoroso, correspondente à malha estrutural, rompido pelos elementos laterais, moldados volumétricamente de forma a vincar a transição com os edifícios existentes. Dos pisos habitacionais avançam as reduzidas varandas, balançadas sobre a rua que, alternadas, produzem um excepcional efeito plástico. Uma lage perfurada e uma contínua varanda, consequência do recuo do plano da fachada, marcam o remate no plano da cobertura do edifício. A exigência de ventilação e iluminação sobre o lado interior é utilizada para realizar o sistema de distribuição vertical e horizontal da parte central do edifício.

In “Guia da Arquitectura Moderna _ Porto - 1925 – 2002” de Fátima Fernandes e Michele Canatà, edições ASA









à varanda
28 de Julho pelas 22h no projecto

com:

Manuel Santos Maia

Ruben de Freitas

Nuno Ramalho

Miguel e Daniela
Balla Prop

Maria Fidalgo

João Coração

Cristina Regadas

e Putice!

à varanda

PORTO: VARANDAS COM INTERVENÇÕES ARTÍSTICAS

2007-07-27

http://www.artecapital.net/noticias.php

O projecto “À Varanda”, que decorre amanhã a partir das 22 horas, consiste num percurso pela baixa do Porto, no qual se irão apresentar diversas intervenções nas varandas das casas de alguns artistas. A varanda é o espaço que pertencendo à casa está em suspenso e em aberto permitindo uma relação entre o espaço público e o privado. Logo, este projecto - da responsabilidade de Susana Chiocca - pretende viabilizar esse contacto com o exterior, com o transeunte. Intervenções artísticas diversas, desde instalações, performances e concertos, espalham-se por diversos pontos da cidade. Participam na iniciativa Ruben de Freitas, Nuno Ramalho, Miguel e Daniela, Manuel Santos Maia, Balla Prop, Maria Fidalgo, Juão Coração, Cristina Regadas e Putice.

Dez artistas vão estar à varanda no deserto da Baixa do Porto

28.07.2007, Inês Nadais

http://jornal.publico.clix.pt/

A Baixa morreu? É uma hipótese, mas talvez estejamos a ser pessimistas. Logo à noite, a partir das 22h, vai haver vida na Baixa: lá em cima, nas varandas de alguns prédios das ruas de Augusto Rosa, de Guilherme Costa Carvalho e de Passos Manuel, e cá em baixo, no passeio. São nove micro-espectáculos (instalações, performances, intervenções sonoras) para ver no deserto da Baixa.
Além de um conjunto de espectáculos, À Varanda é um itinerário que percorre as residências de artistas sediados no Porto. "A varanda é o espaço que está em suspenso e em aberto permitindo uma relação entre o espaço público e o privado. Quisemos aproveitar o facto de vários artistas viverem na Baixa e também essa conexão com o exterior. Não tem havido muitos acontecimentos virados para a cidade e aqui espectadores e transeuntes podem cruzar-se", diz Susana Chiocca. Responsável por um espaço, A Sala (Rua do Bonjardim, 235, 2º), em que a fronteira público-privado é particularmente difusa - "É a sala do meu próprio apartamento, apresentamos lá performances uma vez por mês" -, a artista explica que o projecto À Varanda apareceu justamente na sequência de um impasse na Sala: "Não sabíamos se ia continuar e achámos que isto podia ser uma passagem". A Sala vai continuar mas hoje eles estão na varanda.
190 da Avenida de Rodrigues de Freitas é a porta onde começa o percurso, que termina no nº 18 da Travessa de Liceiras.
190
da Avenida de Rodrigues de Freitas é a porta onde começa o percurso, que termina no nº 18 da Travessa de Liceiras.

Projecto tem início às 22h00 «À Varanda» anima baixa portuense



Onze artistas participam, hoje à noite, no projecto «À Varanda», que vai levar diversas intervenções artísticas ao centro da cidade do Porto, disse à Lusa fonte da organização da iniciativa.

“A varanda é o espaço que, pertencendo à casa, permanece em suspenso e em aberto, permitindo uma relação entre o espaço público e o privado. Este projecto pretende viabilizar esse contacto com o exterior, com o transeunte e outros”, acrescentou a fonte.
A iniciativa tem a participação de Ruben de Freitas, Nuno Ramalho, Miguel e Daniela, Manuel Santos Maia, Balla Prop, Maria Fidalgo, Juão Coração, Putice! e Cristina Regadas.
O percurso inicia-se às 22h00, junto à casa de Ruben de Freitas (Av. Rodrigues de Freitas, n.º 190, 2.º), seguindo depois para a de Nuno Ramalho (Rua Passos Manuel, n.º 249, 2.º, aos Poveiros) e para a Rua Augusto Rosa, n.º 190, 3.º Esq.,(à Batalha), onde vivem Daniela e Miguel.
Seguem-se as casas de Manuel Santos Maia, Balla Prop, Maria Fidalgo, Juão Coração e Cristina Regadas, todas na Rua Guilherme Costa Carvalho (aos Aliados), terminando o percurso junto à casa de Putice!, na Travessa de Liceiras, 18~(ao Bonjardim).
As intervenções artísticas incluem instalação, performance e concerto, entre outras.
A programadora desta iniciativa, Susana Chiocca, licenciada em Artes Plásticas e Escultura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, está a fazer o seu doutoramento na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Castilla-La Mancha, em Espanha. Desde 1997 que Susana Chiocca tem apresentado trabalhos em diversos espaços, em Portugal e no estrangeiro.

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O projecto
O projecto «À Varanda» consiste num percurso pela baixa do Porto, durante o qual o público pode assistir a diversas intervenções artísticas que se realizam nas varandas das casas de vários artistas.

http://www.oprimeirodejaneiro.pt/

Percurso:

Início às 22h

I _ Ruben de Freitas

Av. Rodrigues de Freitas, nº 190, 2º andar

II _ Nuno Ramalho

Rua Passos Manuel, nº 249, 2º andar (Poveiros)

III _ Daniela e Miguel

Rua Augusto Rosa nº 190, 3º andar esq. (à Batalha)

IV _ Manuel Santos Maia

Rua Guilherme Costa Carvalho, 4º andar (aos Aliados)

V _ Balla Prop

Rua Guilherme Costa Carvalho, 2º andar (aos Aliados)

VI _ Maria Fidalgo

Rua Guilherme Costa Carvalho, 5º andar (aos Aliados)

VII _ Juão Coração

Rua Guilherme Costa Carvalho, 3º andar (aos Aliados)

VIII _ Cristina Regadas

Entre a Rua Guilherme Costa Carvalho e a Rua Rodrigues Sampaio, 3º andar (aos Aliados)

IX _ Putice

Trav. De Liceiras, nº 18

Programação e organização:

Susana Chiocca

desaparece@gmail.com

93 428 35 38

Rua do Bonjardim, 253 2º - 4000 – 124 Porto








14.5.07

non - parte do seu mundo


















Rastos

Exposição de

Eduardo Matos

Manuel Santos Maia

Renato Ferrão

Quadrado Azul – Porto

Inaugura a 2 de Junho

Até 7 de Julho





O projecto:

non - parte do seu mundo

Instalação - Pintura sobre parede (pigmento e cal), objectos (andorinhas de barro), madeira e ferro

2003 - 2007



Portugal num mundo de migrantes

A edição especial da publicação Courrier Internacional dedicada ao fenómeno das migrações comentava: “Refugiados ambientais, exilados políticos, emigrantes económicos, expatriados… Todos os anos, milhões de pessoas optam por mudar de país ou são forçados a tal.” O movimento global tem crescido de forma nunca vista. Conhecemos as principais zonas de emigração, os principais fluxos num mundo de migrantes; mas, das suas experiências e vivências, o que sabemos? Quais as alegrias, as tristezas? O que conhecemos destes migrantes? Que caminhos trilharam?

Em Portugal, país que durante a primeira e segunda metade do século passado, registou fortes fluxos emigratórios, veio a registar no final do mesmo século, com a descolonização, e nos primeiros anos do novo século, um substancial fluxo imigratório que veio alterar a composição da população estrangeira a residir em Portugal. Como explana Maria Ioannis Baganha “O fim do império colonial em África implicou um processo de descolonização que teve como consequência a vinda de milhares de cidadãos dos novos países africanos para Portugal. este fluxo migratório das ex-colónias veio alterar substancialmente a composição da população estrangeira a residir em Portugal, até aí essencialmente constituída por europeus e brasileiros. (…) no decorrer da década de 80 a população estrangeira cresceu a uma taxa média anual de 6%, atingindo 101011 pessoas em 1989.Nna década seguinte o fluxo migratório intensifica-se ligeiramente (a taxa anual média de crescimento diversifica-se. Em 1999 residem legalmente em Portugal 190896 estrangeiros dos quais 47% eram de oriundos de África, 30% da Europa, 14% da América do Sul e 5% da América do Norte. (…)

Nos últimos três anos, os fluxos migratórios registaram uma intensidade sem precedentes. De facto, entre 1999 e 2002 o número de estrangeiros com residência legal em Portugal cresceu 117%, atingindo 413304 pessoas em finais de 2002”

Se estes dados, nos informam e nos esclarecem quanto às movimentações de populações; eles são ainda insuficientes para nos elucidar quanto ás origens da migração e quanto aos seus efeitos. Ao contrário do que se possa pensar “As determinantes da emigração não radicam na pobreza ou nas diferenças absolutas de salários entre países receptores e emissores. Os mais pobres raramente emigram;” segundo Alejandro Portes. Poderemos questionar - porque razão a migração com destino a Portugal ocorre principalmente das suas antigas colónias? O mesmo autor esclarece-nos que “As correntes migratórias em geral dirigem-se de países periféricos para aqueles países centrais com os quais possuem maiores vínculos históricos e que são normalmente responsáveis pela difusão de novos desejos e aspirações.”

Conhecidas as motivações que levaram à escolha de um determinado país, teremos que conhecer as vivências dos imigrantes no país receptor, para que possamos compreender, a dimensão da sua presença no país de adopção. Deveremos então colocar as seguintes questões: como se efectua o processo de adaptação? qual o seu êxito? entre os imigrantes de primeira e os de segunda geração, quais as diferenças e alterações verificadas no processo de adaptação? Segundo Portes, “O processo de adaptação dos imigrantes não culmina necessariamente na sua assimilação à cultura e sociedade receptoras. Pode antes orientar-se em direcções fundamentalmente distintas que incluem: (a) o regresso ao país emissor; (b) o surgimento voluntário de enclaves étnicos semi-permanentes com cultura própria; (c) a segregação racial dos imigrantes por parte da sociedade receptora e o seu confinamento involuntário a um sistema de castas.

O êxito do processo de adaptação depende menos daquilo que os imigrantes trazem consigo e mais de como são acolhidos pelo governo e sociedade receptoras. Os modos de recepção hostis dão lugar a “formações reactivas” que distanciam os imigrantes cada vez mais dos padrões normativos dominantes e dão lugar a crescentes conflitos inter-étnicos.

A longo prazo, o carácter da adaptação de minorias estrangeiras não se afere pelo destino da primeira geração mas da segunda. Os imigrantes de primeira geração orientam-se constantemente para os seus países de origem e a eles regressão em muitos dos casos. O seu ponto de referência consiste nos salários e condições de vida deixados para trás. Os seus filhos, contudo, orientam-se para o país receptor do qual são cidadãos legais ou, pelo menos, membros sociais. Os resultados finais do processo de adaptação (…) ocorrem a partir da segunda geração.

Pelo exposto, e parafraseando o artigo do Courrier Internacional, aplicando-o à realidade portuguesa, poderemos colocar as mesmas questões: Se sabemos que Portugal é um país de migrantes, se conhecemos os principais fluxos, as zonas de emigração e os destinos; o que sabemos das suas experiências e vivências? O que conhecemos dos nosso migrantes?

Restringindo o campo de análise, detendo-nos na imigração verificada em Portugal; muitas foram as alterações culturais, sociais, políticas e religiosas verificadas. Contudo, na produção artística contemporânea e em especial na área das artes plásticas, poucos são os estudos ou os momentos de reflexão sobre a influência e sobre a presença de outras culturas na criação artística portuguesa.

non - parte do seu mundo reflecte a condição existencial de muitos dos migrantes (os que se encontram a viver em Portugal e muitos outros que saíram do país) que procuram outros horizontes.

M.S.M



+++

“ (...) Sob a diferença da conjuntura, vibra hoje, estruturalmente, o mesmo Portugal que Eça conheceu nas décadas de 80 e 90 do século XIX: instituições bloqueadas ou ineficazes (Justiça, Educação, Saúde), uma classe política genericamente medíocre – refugo, em todos os partidos, das notáveis direcções refundadoras da democracia -, uma Assembleia da República de funcionários, em que mais sobeja o interesse do que o pensamento, um empresariado especulativo, assente no betão e no comércio de curto prazo, elites jogando com a sorte, visando a fama sem suor do estudo e do trabalho, um povo bárbaro rastejando em Fátima ou ululando em estádios de futebol, de olhos grudados numa televisão vocacionada para mentes imbecis, frequentando os delirantes maiores centros comerciais da Europa. Sabemos hoje que o Regicídio e a República não fora solução, desembocando na mais longa ditadura europeia do século XX, fazendo-nos regredir a uma mentalidade eclesiástica fundada no analfabetismo, na miséria e na superstição: Fátima tornou-se o altar do mundo e Portugal o último país da Europa. Em 1986, tornámo-nos europeus com 50 anos de atraso, constatando todos os dias que o sonho pombalino que há 250 anos perseguíamos se vai esboroando no interior de uma Europa decadente e fragilizada, como maximamente teorizou Eduardo Lourenço. Consciencializamos, hoje mais do que nunca, que a Europa também não é solução, e que a solução, estando nós já na Europa, não pode agora senão estar em nós – um país pequeno, medíocre, que medíocre permanecerá até meados deste século, conduzido por elites cegas, parasitárias e autofágicas, totalmente desprovidas de consciência histórica, cujo único objectivo assenta na macaqueação de modelos estrangeiros, amiúde a uma realidade histórica, as mesmas elites que forçaram Eça a registar na carta à rainha D. Amélia que face a um país assim, só se pode desejar, não que se lute pela monarquia ou pela república, mas que se remedeie casa e pão para todos, majestoso ideal humanista do Último Eça, que os nossos governos, dirigidos por engenheiros e economistas, totalmente desprovidos de espírito histórico, moldados por uma mesma mentalidade contabilista, criados à sombra paternalista do Estado, movidos por um afã liberal num povo envelhecido e secularmente carecido de riqueza e protecção, continuam a achar desprezível, contribuindo para tornar mais pobres as populações pobres. A tais seres, espectros permanentes da política portuguesa desde o século XIX -, responde hoje o povo como respondia no tempo de Eça, emigrando: 90 mil portugueses abandonam o país por ano (in Público, 15/8/06). É sem dúvida a melhor resposta que se pode dar, emigrar, abandonar Portugal aos fâmulos fantasmáticos da economia a todo o custo. Como no tempo de Eça, substitui-se a pessoa pelo orçamento. Em Portugal, país habitado por dois milhões de pobres, menos Estado significa mais miséria, menos protecção, menos hospitais, menos escolas, menos transportes públicos e mais lucros individuais, bafejando não uma classe média sólida – futura e exclusiva salvação de Portugal – mas uma minoritária classe financeira especulativa e um minoritário empresariado ostensivo, com evidente mentalidade de patrão. (…) a farsa, por vezes trágica, por vezes jocosa, em que Portugal se tornou desde a década de 80, quando a direcção política dos pais fundadores da democracia foi substituída por «jovens turcos» provindos do Algarve, das Beiras e do Norte crescidos e enformados no interior dos partidos, possuindo destes uma visão instrumental de acesso ao poder e de nobilitação individual e não de nobilitação das populações. Concentremos a nossa esperança nas elites futuras e não esperemos nada de redentor das presentes senão aquilo a que um resto de pudor cristão, bom senso e legislação europeia as obriguem a fazer. Da sua cabeça própria, esperemos apenas ignorância, sobranceira e estupidez. (…) o facto de termos nascido em Portugal em época de profunda mediocridade geral, onde, à semelhança do final da Regeneração, de novo impera, avassaladoramente – (…) -, a democracia sem valor nem mérito, a omnipotência do dinheiro, o império de uma educação sem alma, inspirada por sociólogos de olhos numéricos e mente vazia, e o esboroamento dos antigos valores humanistas europeus da generosidade, da honestidade e da espiritualidade.”

“O Último Eça” de Miguel Real, QuidNovi, Lisboa, 2006




Manuel Santos Maia na continuação do desenvolvimento de NON, aqui a versão Non – parte do seu mundo, delimita na pretensão de uma estética portuguesa, se não de imagens portuguesas, quereria dizer, visível quando se folheia a apresentação integral do trabalho. A evidência formal neste último, desde as andorinhas migrantes à lista azul das casas do sul e do mar, as arquitecturas suspensas dos ninhos e dos postos de electricidade, vem da preocupação de instalar um pedido de atenção a iconografias inocentes que podem representar contextos problemáticos como o fluxo de emigração. De Portugal, mas não só, porque as linhas que atravessam os postes onde pousam as aves pronunciam ligações, este trabalho amplia-se da periferia para o centro, do local para o global. Nessa horizontal paisagem algumas das andorinhas vivem com asas quebradas, e desfeitas as possibilidades de voar acabam na morte do país que já não importa ser, ou não ser, o seu. Querendo averiguar as razões actuais das migrações e, principalmente, descristalizar as reflexões sobre essas mesmas, o autor opta por traçar uma geografia de lugares, casas temporárias entre o regresso e o trabalho, tendo em conta a fragilização do corpo que migra.

Rastos de Eduardo Matos, Manuel Santos Maia e Renato Ferrão.” Texto de exposição de Aida Castro, Junho 2007


Em Rastos, Eduardo Matos, Manuel Santos Maia e Renato Ferrão apresentam trabalhos inéditos, em instalação e escultura, que convocam elementos relacionados quer com o espaço e a arquitectura, quer com uma ideia de memória, ou que utilizam estes mesmos elementos na problematização de outras temáticas relacionadas com a vivência contemporânea.

Manuel Santos Maia propõe a criação de três instalações constituídas por diversos elementos, sendo que a temática central da peça é a migração, mais especificamente os processos migratórios verificados no e a partir do território nacional. A reflexão em torno desta questão concretiza-se através de um mural que convoca a paisagem arquitectónica tradicional alentejana e da costa sul do Algarve, sendo que algumas características típicas deste tipo de construções são utilizadas no mesmo mural. A alusão a um determinado percurso migratório não concretizado, bem como da morte, aparece nestas obra através da colocação no chão de representações tradicionais portuguesas de andorinhas em barro, que se encontram quebradas (provenientes dos países a sul da Europa, as andorinhas representam também as migrações que actualmente se verifica entre o norte de África e a Europa). Ao longo da parede oposta serão também colocadas representações de postes de electricidade. Os fios, suportados por estes postes, irão atravessar o espaço expositivo, representando ligações, mas também convocando os lugares onde normalmente observamos algumas espécies de aves migratórias, como as andorinhas ou as cegonhas.

Manuel Santos Maia nasceu em Nampula, Moçambique, em 1970. Licenciado em Artes Plásticas – Pintura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Manuel Santos Maia, iniciou o projecto “Alheava” – cujo título surgiu de uma frase do livro “De Profundis Valsa Lenta”, de José Cardoso Pires – em 1999, trabalhando registos de imagens e negativos realizados pela família na província africana. Histórias do colonialismo português em África são contadas pelo artista a partir de uma perspectiva diferente, revisitando a memória familiar no período que precedeu a descolonização. Este surgiu com apresentação de um primeiro conjunto de imagens sob o título “Introdução”, à qual se seguiu a mostra “A casa onde às vezes regresso”, na Galeria Museu Nogueira da Silva, Braga e a exposição “Alheava – Nampula”, na Galeria Quadrado Azul – Porto. Fotografia, slides, álbuns familiares, selos de correio e outros objectos vários, como por exemplo rolos de fotografias inutilizados, são alguns dos materiais utilizados por Manuel Santos na prossecução da sua actividade artística, através da qual reflecte em torno de questões como o deslocamento dos “retornados” no período pós revolução em Portugal e, numa acepção mais vasta, a condição dos deslocados da sociedade contemporânea, como coloca Sandra Vieira Jürgens. Actualmente é doutorando do Doutoramento em Artes Plásticas e Artes Visuais “Modos de Conhecimento na Prática Artística Contemporânea” pela Universidade de Vigo e participa na exposição “Depósito: anotações sobre densidade e conhecimento”, comissariada por Paulo Cunha e Silva e patente até 30 de Junho na Reitoria da Universidade do Porto.




Galeria Quadrado Azul – Porto
Rua Miguel Bombarda, 435
4050-382, Porto


Tel.: 22 60 97 313
e-mail: galeria@quadradoazul.pt
web:
www.quadradoazul.pt

Horário:
De terça a sexta das 10h00 às 12h30/ 15h às 19h30
Segunda e sábado das 15h às 19h30

4.3.07

non – Essa visão da realidade vale a outra

Janeiro de 2007

Instalação

Diversos materiais diversos

Dimensões variáveis





MAD WOMAN IN THE ATTIC
Rua Alves Redol 407, 5º - 4050-043 - Porto
mw_intheattic@yahoo.com




DESCRIÇÃO DE UM ABISMO

A visão de aqui. Ora aqui está. Onde pernoitas cansas recuperas e pronto, quando «te vês» é tudo.

(PARA SI PRÓPRIO)

Essa visão da realidade vale a outra, e a outra, e a outra – o espectáculo dos olhos, dos pénis, dos ruídos, substituem o dos campos, se tos negam – (…)

“OS CRIMINOSOS E AS SUAS PROPRIEDADES” in “raso como o chão” de Álvaro Lapa – editorial estampa, Lisboa, 1977

non – tudo o que vês existe

acção performativa

na “a Sala”



“a Sala” - Rua do Bonjardim, 253 2º apresentações dias 17 e 18 de Novembro de 2006








os criminosos e as suas propriedades – um mundo «criminoso de passividade» - «um» mundo – este instante vale outro, e outro, e outro- compara sem reservas, ininterruptamente – compara sem culpas – o outro mundo vale este (…) – tudo o que vês existe – (…)o teu mundo é a condição do teu projecto, e nisto te especializas suficientemente – deixa o estranho emocionar-se, vá! – a comunicação, mas com quem? – tudo está a ser visto por ti, milimetricamente – se fores cego não faz mal – quemte desanima? – a pena de morte é bárbara; e os restaurantes?...-

(PARA SI PRÓPRIO)

Essa visão da realidade vale a outra, e aoutra, e a outra – o espectáculo dos olhos, dos énis, dos ruídos, substituem o dos campos, se tos negam – (…)

OS CRIMINOSOS E AS SUAS PROPRIEDADES” in “raso como o chão” de Álvaro Lapa – editorialestampa, Lisboa, 1977


non – náufragos, ergue-se novamente a cruz com o ruir da vela (1ª versão)

2003 / 2006

Instalação (Tecido, madeira, corda, tinta)

Dimensões variáveis

Apresentado em Novembro de 2006, no Projecto Apêndice, Porto, Portugal.



Voltar à «A jangada do La Méduse » de Théodore Géricault para constatar que,

como os sobreviventes do navio francês La Méduse,

também neste “apêndice”, na cidade do Porto,

muitos continuam a resistir num país perdido no Atlântico.



Voltar à "A jangada" de Théodore Géricault para como este e com este

criticar o Governos, Câmaras e os mais variados agentes do sistema artístico nacional porque,

lembrando o navio La Médose, a nomeação do capitão - que não era homem do mar –

fora um acto de favoritismo político.



Voltar à «A jangada do La Médose de Théodore Géricault porque,

como no seu tempo, este tema é discordante relativamente aos “tradicionais”.



Voltar à «A jangada do La Médose » de Théodore Géricault porque,

ao contrário desta que foi aceite com relutância,

a presente obra foi ignorada como todas as outras que foram apresentadas no mesmo lugar

e como muitas outras ainda patentes ou recentemente apresentadas (nos últimos sete anos)

por um considerável número de jovens criadores deste Porto perdido no mar.



Voltar à «A jangada do La Méduse » para sublinhar que como no passado,

a luta dos náufragos - de um Porto de um país perdido no Atlântico –

continua a ser a mesma

com os governantes e ou com os agentes do meio artístico

pela «LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE».



Voltar à “Crucificação” de Matthias Grunewald porque,

hoje como antes, a cruz a carregar continua a ser a mesma.



Voltar à “Descida da cruz” de Peter Paul Rubens,

para lembrar que a fé ainda é o que faz movimentar os que por aqui andam - por este “apêndice” - mesmo depois de uma primeira morte,

mesmo diante do peso que se abate de maneira insuportável

perante a referida morte.



Voltar à “Descida da cruz” de Peter Paul Rubens,

para lembrar que depois de descidos da cruz

cada um dos que por aqui anda

é acompanhado por aqueles, não muitos,

que sentem o desespero de terem sido arrastados e arrasados,

como o fadado ao processo de crucificação.



Pelo referido e pelo ainda não dito,

voltar ao «O discurso sobre as Ciências e as Artes» de Jean-Jacques Rousseau,

para hoje constatar, como no tempo deste,

que há um abismo entre as exigências da sociedade e a verdadeira natureza do ser humano;

para (re)discutir «LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE»,

agora remetidos a valores do passado e considerados falidos